terça-feira, 16 de setembro de 2008
“Ter nascido me prejudicou a saúde”
No momento de nosso nascimento rompemos com o lugar aconchegante e caloroso no qual fomos gerados. Foram (geralmente) nove meses de experiência em um espaço que parecia lar, e nosso inconsciente processava todas as informações enviadas. Nossa respiração dependia consequentemente de uma outra vida; a mãe.
A partir do momento que nascemos, ou seja, desde o momento em que somos expostos à esse mundo no qual denominamos real, todos os nossos órgãos começam a funcionar independentes e é justamente aí que nossas células começam a morrer. No exato momento em que a criança recém nascida chora várias células do seu corpo estão se dissolvendo. As camadas de sua pele começam a se transformar, suas unhas crescem, parte delas são cortadas e outras voltam a surgir.
Nascemos grávidos da morte, nascemos para a morte e não para a vida e a existência é somente uma conseqüência do fato “nascer”. A morte é a única certeza, e para que a morte aconteça, precisamos estar doentes. E doença não é apenas aquela enfermidade que surge e vai se alastrando pelos órgãos lentamente até a fase terminal, estar doente é também estar no mundo rodeado de mentiras e enganos, nos tornando cegos e impotentes diante do sofrimento da existência de um mundo germicida. Universo de bactérias e vírus avassaladores. Estar exposto e consequentemente depender do outro, e na maioria das vezes de um outro que lhe quer ver deteriorado.
Então... Ter “saúde é estar em bom estado das funções orgânicas, físicas e mentais”.
E eu pergunto se isso depende exclusivamente de mim?
Não importa tanto saber, mas a minha pra minha compreensão tudo isso pode ser resumido com o célebre fragmento de Clarice Lispector; Ter nascido me prejudicou a saúde.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Não sei responter.
mas vai a dica, coisinha pouca: escreva sempre! faz bem pra saúde.
Postar um comentário