segunda-feira, 1 de junho de 2009

(lou) cura


O corpo ardendo em febre
e o lençol cinza
cobre minha pele
nua

olhos lacrimejam as incertezas
de sanar o sentimento voraz,
descontrolado
chamado loucura

De frente para o espelho
um rosto desfigurado
que só percebe
a cor desbotada
do cabelo

não há remédio para o desejo
da carne,
viva e crua

nem beijo,
sexo
ou ternura

O pensamento vagando
pra nenhum lugar,
os olhos só encontram
ausência de luz
e aquela vaga sensação
de que nunca estive aqui

E quando olho pra traz
existem pegadas que não vejo
de um corpo sem sombra

e essa loucura
sem cura
que não parece exata,
mas dura.

(foto, A loucura; James Stuart Rons)

3 comentários:

CLARIDÃO disse...

o teu amor me cura, de uma loucura qualquer.

Brener Alexandre disse...

A loucura não é enigma da humanidade é intrisica ao seu espirito, é uma face da mesma moeda que a sanidade. a loucura é a fantasia do irreal nos perseguindo.

Brener Alexandre disse...

A loucura não é enigma da humanidade é intrisica ao seu espirito, é uma face da mesma moeda que a sanidade. a loucura é a fantasia do irreal nos perseguindo.