domingo, 14 de junho de 2009

chão



Estou catando as palavras
caidas no chão
soltas ao vento
sem direção

Elas seguem embaralhadas
fujidias e embreagadas
sem querer lapis ou papel
causando confusão

não querem ser expressas
nem mesmo tocadas
precisam de espaço
sem tempo
apego
ou afeição

seguem o rítimo sem som
de um inverno
ou um verão
sem querer dizer nada
ou alimentar a chegada
de uma próxima estação

(foto; Marcilene Silva, série pequenas memórias, 1999)

2 comentários:

Brener Alexandre disse...

As palavras são movimento quase inapreenssivel. são sedutoras e independentes, amavéis, mas não se apegam a nada...

CLARIDÃO disse...

cate-as e produza sempre com tua sensibilidade tão bela! mujer de mi vida!